4
Coleta de dados
Nesta etapa de pesquisa, gostaramos de chamar-lhe a ateno
 para alguns aspectos ticos da pesquisa psicolgica na coleta de
dados uma vez que j apontamos os aspectos tcnicos que preparam
a realizao dessa etapa (construo do instrumento de coleta, por 
exemplo)  principalmente porque  nessa etapa que haver a interao entre o sujeito e o pesquisador. 
Consideremos, nesta seo, apenas os sujeitos humanos (e no sujeitos animais, por exemplo), com os quais 
h uma srie de cuidados a sereiii tomados no momento em que se entra em contato com eles. 
Um sujeito humano de uma pesquisa deve ser visto, antes de tudo, como um colaborador e, como tal, objeto de 
toda a considerao e honestidade que uma relao humana requer. 
Neste sentido,  necessrio que se analise se os propsitos da pesquisa sero comunicados a eles e, se o 
forem, como o sero. 
No h uma receita tica sobre como decidir isto. O que temos como princpio tico geral  que os sujeitos 
no podem ser enganados ou lesados.  sempre melhor comunicar os propsitos da pesquisa. Mostrar sua 
relevncia, e a relevncia da contribuio dos sujeitos, envolvendo-os na pesquisa e deixando-os  vontade 
para decidirem se desejam ou no colaborar. 
No entanto, nem sempre  possvel atuar dessa maneira. s vezes a comunicao dos propsitos da pesquisa 
poder alterar a natureza das respostas que os sujeitos dariam, alterando, conseqentemente, sua 
espontaneidade. Vejamos um exemplo: 
Suponha que uma pesquisa pretenda investigar a reao de pessoas a frases com temas sobre sexualidade, 
dentre inmeros outros assuntos. Para tal, os pesquisadores mediriam o tempo de reao das pessoas aos 
diferentes temas. Se tal objetivo fosse comunicado aos sujeitos,  possvel que os sujeitos se preparassem 
para no 
reagir naturalmente aos temas sexuais, e os dados obtidos seriam, ento, fruto dessa preparao e no de condies mais 
naturais Quando ocorrerem situaes como essa,  prudente que se analisem as implicaes de se comunicar ou no os 
propsitos de pesquisa  encontrar alternativas. Uma delas seria contar parcialmente os propsitos da pesquisa, ou cont-
los de uma maneira geral. Uma outra seria informar aos sujeitos que os propsitos s sero revelados completamente aps 
a realizao da coleta (e as razes para no se faz-lo antes), deixando para cada um a deciso de participar ou no de uma 
situao como essa. 
Quando os sujeitos so crianas, temos tambm outra situao em que a comunicao dos propsitos reais  invivel. 
Nesse caso,  preciso que se contatue as pessoas responsveis pelas crianas para que permitam a sua participao como 
sujeitos de pesquisa. 
Uma outra questo tica referente  relao sujeito-pesquisador diz respeito  necessidade ou no do sujeito se identificar 
(no caso do mtodo de questionamento). E importante que esta deciso seja tomada com base nas caractersticas da 
pesquisa: o que queremos dizer  que no se deve solicitar ao sujeito que se identifique apenas por curiosidade do 
pesquisador. Cada ser humano tem direito a sua privacidade, e viol-la est longe dos propsitos de um estudo cientfico. 
Alm disso, em caso de temas embaraosos para o sujeito, a no identificao s facilita a obteno de respostas completas 
e honestas. 
No tocante ao mtodo especfico de observao, as questes ticas que surgem quase sempre esto ligadas a questes 
metodolgicas. Uma delas  a interferncia do observador sobre o observado  seja constrangendo-o, seja alterando seu 
comportamento, no sentido de se mostrar de acordo com possveis expectativas do observador. As solues para situaes 
como essas vo desde a variao do dia em que o sujeito seria observado e da freqncia de observao (pois assim ele no 
poderia preparar-se ou mudar sempre), at disfarces do observador, para no ser notado; ou, ainda, a no comunicao de 
que ele ser observado. Qualquer deciso tomada deveria ser, sobretudo, analisada e o mais coerente possvel com os 
princpios at aqui apresentados. 
Em ltima anlise, questes de tica so questes de princpios, e questes de princpios so questes de valores, que 
mudam com a cultura, com a histria, com as religies, com a abordagem de trabalho que se adota. So, portanto, frutos de 
um consenso de grupos. Por isto,  importante que um pesquisador nunca esteja sozinho no momento de tomar decises de 
natureza tica, tais como as que vimos; discuti-las com outros pesquisadores e mesmo leigos, submetendo-as a outras 
opinies,  uma maneira bastante prudente de no se cometer enganos irreversveis. 
34 
35 
